Avante Camaradas!

"E nunca seremos vencidos
Porque marchamos sob a luz da crença!
Marchemos sempre convencidos,
Não há denoto que nos vença!"

Por Segundo Tenente Aurélio de Lyra Tavares

domingo, 4 de setembro de 2011

Sociedade Distópica Anacrônica

“É, talvez, seja cortesia chamá-los de utópicos, eles devem antes ser chamados de distópicos, ou caco-tópicos. O que é comumente chamado de utópico é algo bom demais para ser possível; mas o que eles parecem favorecer é demasiado mau para ser praticável”
John Stuart Mill


Prefácio Ao Estudo Sobre Distopias


Ilustração para primeira edição
do livro Utopia de 1516
Na contemporaneidade nós deparamos com um mar de indivíduos bucólicos, às vezes, beirando a uma ingenuidade infanto-juvenil, digna da idade mental que nunca cresceram, autodenominando-se utópicos. Chega a ser cômica a forma como uma digna ironia, veio tornar-se um elogio. É bonito ser utópico; Principalmente entre amigos em conversas de bar, numa tentativa amorosa, ou numa disciplina universitária.  Podemos resumir que a vida, nos dias atuais, seja você exercitar cada vez mais seu senso de utopismo. Quanto mais fora da realidade estiver, com mais otimismo você será visto e aceito dentre as alucinógenas rodas universitárias. Toda vez quando a sentença é promulgada: “você é um utópico”, escorrem lágrimas de orgulho rasga-se a camisa, mostrando no peito cabeludo, a estampa de seu slogan. Eles são os heróis de capa esvoaçada por ventos de ventiladores, esperando suas gigantescas estátuas de cobre, para ter sua mão o dedo apontando para um nenhum – lugar: o local de seus eternos sonhos. Quanto a nós, vemos toda essa macaquice, de fora, sentados numa arquibancada sentido uma emoção reservada somente a dois seres; aos vermes, e às almas que pairam no inferno.
Precisamos entender profundamente como surge toda essa utopia. Tudo começa em 1516, quando Sir. Tomás More criou a palavra, usando radicais gregos. O termo utopia veio a ser o título de sua obra tão famosa, que narra sobre uma fictícia ilha no oceano atlântico. Tomando um aprofundamento etimológico, οὐ (‘não’) e τόπος (‘lugar’), seria então um “não-lugar”; “lugar nenhum”. Porém, essa palavra, na língua inglesa é homófona para eutopia, que vem do grego: εὖ ("bom") e τόπος ("lugar"). Ou seja, no título da obra temos um trocadilho de duplo sentido, típico das comedias, que diria: “bom-lugar, nenhum-lugar”.
A obra é escrita dentro da época das Grandes Navegações, dentro dos entusiasmos otimistas para com o recém descoberto Novo Mundo. Que por muitos será comparada à tão avançada e perdida sociedade de Atlântida. More viveu dentro do caldeirão cultural das magias renascentistas, Reforma protestante e Contra-Reforma. Uma época conturbada tanto espiritualmente como politicamente. Em meio a tudo isso, surgiu a esperança de ser no Novo Mundo a caixa de Pandora que não se abriu.
Muitos idealizaram uma apoteose dos habitantes dessas terras recém descobertas, como nos Ensaios de Michael de Montaigne, considerando aqueles povos mais civilizados do que os povos do Antigo Mundo. More faz um deboche diante de tanta idolatria propagandística. Se as tais terras recém-descobertas (que de início pensavam serem ilhas) com essas pessoas que adoravam lua e sol eram um “bom – lugar”, na verdade não passava de um “nenhum-lugar”.
O tom ácido da sátira, por poucos entendido, foi com o tempo corroendo esse imaginário. Com as mais aprofundadas pesquisas arqueológicas sobre esses povos americanos, foi-se vendo que utópico somente era o entusiasmo dos próprios descobridores. A imagem de seres imaculados, de alma tão pura que não teriam sido penalizados pelo pecado de Adão, foi perdendo espaço para os fatos dos diversos rituais com brutais sacrifícios humanos, inclusive o de crianças, ao canibalismo. A Atlântida do imaginário místico, avançada, pacifica e matriarcal, viu-se perdida ao tropeçar num povo de estratificação social extremamente patriarcal, primitiva e brutal.
Todavia, da mesma forma como é dito que o “sonho não morreu” após a queda do Muro de Berlim, essa busca diária por esse paraíso terreno de Atlântida não deixou de existir. Quando foi visto que aqueles a que se atribuía a qualidade de seres utópicos, não o eram, de nada errado estavam os teóricos, apenas os povos americanos que não tinham sido utópicos o suficiente. Os fatos que embasavam a idéia podem estar errados, mas a ideia não pode ser deixada de ser desejada jamais. E, é nesse momento que a gozação satírica da piada é considerada por muitos como algo epicamente verídico de ser buscado, rapidamente transforma-se em lágrimas das tragédias, donde os palhaços que outrora nos faziam rir, agora nos fazem levantar o grito do horror por suas faces disformes.
Sir More antecedeu-se no tempo, com a criação palavra utopia. Podemos dizer que todo nosso momento histórico fundamenta-se na Era das Utopias. Essa será a força na qual vai se basear o dínamo revolucionário de toda a Idade Moderna. Sendo essa força das utopias que vai conduzir aos destinos trágicos de nossa contemporaneidade: genocídios, tiranias, perseguições, torturas, lavagens cerebrais e manipulações de massas. Para uns seria como suspeitar demais dos habitantes de utopia, que, cultuando seus sonhos idealistas, possam ser culpados de tão terríveis coisas. Mas para ver a realidade trágica que isso causa, basta ver as cotidianas rosas deixadas para as estátuas de cobre do tirano Kim-Il Sum, que, com a face inofensiva de um utópico, rapidamente revela o seu lado de agressividade, voltado para um elemento trágico de sofrimento na qual sempre estar destinado a cair. Todavia, não se pode deixar de notar o elemento cômico que os Norte-Coreanos incorporam. Vivem como se todos seus dias fossem uma encenação de uma jocosa piada que ninguém entendeu, nem eles mesmos.
Assim como a comédia tem uma relação dialética com a tragédia, a utopia tem, como seu outro lado  trágico: a distopia. A busca pela sátira utópica, fatalmente faz com que todos caiam num ciclo da tragédia, onde o destino do utópico governante carrega eternamente todas as almas dos cidadãos para a prisão. A imagem simbólica que mais se aproxima dessa descrição são os submundos das cosmologias religiosas. Entretanto, lá todos se encontram devidamente mortos, fora deste tempo. A distopia, gerada pelo utopista, faz com que os vivos encontrem-se nesse estado fúnebre. Parecido com um zumbi em busca de cérebros não infectados pelo germe utopista para se alimentarem.
Essa é a face do horror dos tempos modernos em que caímos tragicamente, como se num otimismo melancólico, os utopistas abrissem a caixa de pandora novamente, para que de lá saísse à última coisa que restou: a esperança. Sendo desse sentimento que vivem esses vampiros, parasitando a todos com este sentimento, usando suas fortes dentadas camufladas de um doce discurso de utopista. Levando, dessa forma, gerações de indivíduos as prisões do revolucionário tártaro totalitário dos sonhos irrealizáveis.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Editorial

        No mundo contemporâneo, nos deparamos com o completo caos na definição de padrões e juízo de valores. Através de engenharia social, as classes de burocratas, artistas e intelectuais realizam essa tsunami relativista que vem varrendo da mente de nossos compatriotas toda a possibilidade de realizar juízo de valores. Tirando sua capacidade de expressar a diferença do certo e errado; do belo e do feio; do verdadeiro e do falso. Os valores da etiqueta cavalheiresca nunca estiveram tão esquecidos. Estamos vivendo uma situação que o amor cortês, honra e bravura, sejam por muitos considerados como algo desprezível, e até mesmo existem quem defenda que tais valores minimizem o sentido da vida do ser humano.
        Nesse tempo de degradação moral, esquecimento da heráldica e derrubada dos títulos nobiliárquicos, o Cavalheiro surge como o individuo que perante o abismo do caos relativista encara-o com elegância.
   E nesse espaço virtual que se pretende demonstrar ao leitor essa força cavalheiresca da contemporaneidade. Mostrar os padrões da justiça, dos valores históricos, e honra aos antepassados. O Cavalheiro Contemporâneo montado na temperança pretende ser o guia para você que quer buscar a verdade, e, junto conosco, conquistar espaço nesse campo de batalhas contra os inimigos que estão se esfaqueando uns aos outros com seus cegos relativismos. E para isso, só conseguiremos com ajuda de outros Cavalheiros, pois, um grande Cavalheiro só existe com ajuda de outro tão grande quanto ele, que são nesse caso, nossos leitores. E com essa ajuda pretendemos enfrentar todos esses agentes do caos sem jamais perder a magnanimidade.